Experiência de Goiânia para tratamento de diabetes foi apresentada no G-20, no Japão

Goiânia foi a única cidade brasileira convidada a participar devido aos bons resultados alcançados e estratégia de inovação no tratamento com bomba de insulina

O programa do ambulatório de infusão contínua de insulina desenvolvido pela Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia foi apresentado pela Secretária, Fatima Mrué, no Businnes 20 (B20), evento oficial do G20, realizado no Japão, que abordou o tema “Saúde e bem-estar para todos”.O evento reuniu importantes representantes da saúde e participantes de vários países para discutir estratégias de inovação no cuidado à saúde baseado em valor.
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia foi escolhida como exemplo devido aos resultados positivos que foram obtidos com as inovações aplicadas no tratamento de diabetes tipo 1. Apesar de não ser um bem padronizado pelo Ministério da Saúde, o cidadão goianiense já tem acesso à bomba de insulina por meio do atendimento ambulatorial da diabetes.

 

O programa é composto por ambulatório específico de infusão contínua de insulina. Uma equipe multiprofissional composta por médico, nutricionista, enfermeiro e agora também um psicólogo, tem como proposta a assistência integral, além de um programa de educação permanente aos pacientes e familiares e o monitoramento de indicadores de avaliação clínica.
Em 2011 o programa foi implantado e recebeu melhorias a partir de 2018. Atualmente o programa atende 195 pacientes portadores de diabetes tipo 1, considerada mais grave, que aparece geralmente na infância ou adolescência e que necessita da aplicação de insulina no tratamento.
Os pacientes recebem a bomba de insulina, um aparelho eletrônico, que substitui a aplicação por meio das injeções (canetas). A bomba libera a quantidade de insulina adequada para o paciente, 24 horas por dia, de acordo com a programação personalizada que é inserida no aparelho. Esta forma de tratamento proporciona mais qualidade de vida ao usuário, já que, evita o uso de múltiplas injeções utilizadas para administrar a insulina várias vezes ao dia. O processo diminui o risco de complicações agudas e crônicas pois, torna mais eficiente o controle glicêmico.
A exposição sobre o programa de atendimento aos diabéticos teve boa receptividade da comunidade internacional que estava presente no evento. “O resumo do trabalho realizado pela SMS também foi entregue aos organizadores da reunião do G20 e, sem dúvida, configura um exemplo de estratégia de inclusão, que leva a alta tecnologia ao paciente do Sistema Único de Saúde (SUS)”-avalia a Secretária Municipal de Saúde, Fátima Mrué.
O ambulatório de infusão contínua de insulina
Os pacientes que utilizam a boma de insulina são acolhidos no Centro de Referência e Diagnóstico Terapêutico  (CRDT) da Secretaria Municipal de Saúde, onde recebem o atendimento com os profissionais especializados e os insumos como medicamentos e a instalação do equipamento. “Nem todas as pessoas têm indicação para usar a bomba, é necessário a indicação do médico e se enquadrar dentro dos critérios estabelecidos em portaria” – explica a responsável técnica do ambulatório, Dra. Adriane Codevilla de Souza.
Luana de Almeida, que é portadora de diabetes tipo 1 desde 1 ano e 7 meses, usa a bomba de insulina há cerca de 7 anos. Hoje, aos 15 anos, afirma que a qualidade de vida melhorou bastante.“No começo eu não queria usar o aparelho, pois achava que me impossibilitava de fazer as atividades, mas depois eu acostumei e vi que não consigo mais ficar sem a bomba porque dá uma liberdade total. Eu me considero uma pessoa que não tem diabetes, porque faço de tudo”.
Isabela Araújo de 12 anos é atleta de ginástica olímpica. Para ela o tratamento através da bomba de insulina ajudou no controle da insulina durante a prática de esporte. “Uma coisa que percebi depois que coloquei a boma foi que diminuiu muito nível de hipoglicemia durante o esporte, então consigo controlar tudo melhor”.
O estudante Lucas Faleiros de 17 anos também faz parte do programa. “A gente pode sair tranquilo, sem precisar carregar caneta, mais fácil de manusear, mais fácil de receber a insulina na hora que quiser comer, então fica mais independente.”
O ambulatório de bomba de insulina incentiva ainda a participação dos usuários em reuniões de educação continuada sobre diabetes, que, segundo a nutricionista Aline Ferreira, têm como objetivo a troca de experiências e a socialização do indivíduo, além de orientações com enfermeiras e nutricionistas. “A parte da educação é muito importante poque melhora muito a adesão do paciente nesse tratamento”.
A participação da família também é incentivada dentro do atendimento integrado. “A tendência nesse caso é que os pais sejam superprotetores, mas com o trabalho em grupo eles começam a perceber que não é bem assim. É importante mostrar que os portadores de diabetes não são diferentes, eles levam uma vida comum, trabalham, estudam e comem o que quer, só que é preciso aplicar a insulina, e com a bomba de insulina tudo isso se torna mais fácil”- explica a enfermeira e educadora, Mariana Cássia Lemos.
“As vezes a gente pensa que tem só a gente com este tipo de problema e quando a gente encontra mais pessoas a gente pensa: Meu Deus eu não estou sozinha, então ajuda muito a gente”- declara a alegre e confiante Luana.
 Da Editoria de Saúde

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *