Construção do complexo viário na Avenida Jamel Cecílio deve começar em agosto

A obra de grande impacto vai destravar o tráfego em uma das regiões mais populosas de Goiânia e terá duração de 15 meses.

Quatro consórcios e duas empresas de engenharia foram habilitadas no processo licitatório da Seinfra para a construção do complexo viário no cruzamento da Avenida Jamel Cecílio e a Marginal Botafogo, no Jardim Goiás. A sessão de abertura aconteceu na segunda-feira, 17, e habilitou os Consórcios SG, Planex-Ingá-Jamel, Traçado-Sogel e Marginal Botafogo e as empresas Jofege Pavimentação e Construção Ltda. e Loctec Engenharia Ltda. A próxima etapa é a abertura dos envelopes com a melhor proposta e, vencidos os prazos legais impostos a uma concorrência pública, a Seinfra vai assinar a ordem de serviços, que dará início aos trabalhos, fato que deverá ocorrer na segunda quinzena de agosto.

Avaliada em R$ 30,3 milhões, a obra será construída com recursos próprios, oriundos do empréstimo junto à Caixa Econômica Federal, já autorizado pela Câmara Municipal de Goiânia, e terá duração de 15 meses. Concomitante, será executado o prolongamento da Marginal Botafogo até a Segunda Radial, no Setor Pedro Ludovico.

Esse complexo viário é uma das maiores intervenções da atual gestão municipal e vai atingir três artérias de intenso fluxo diário de veículos –  Avenida Jamel Cecílio, Marginal Botafogo e Avenida Leopoldo de Bulhões –, que dão destino à saída Sul da Capital e a bairros e condomínios populosos, como o Parque Flamboyant, Alphaville, Portal do Sol, Alto da Glória e o próprio Jardim Goiás.

‘Convergimos muitos esforços para alavancar, agora que as chuvas cessaram, um pacote de obras orçado acima de R$ 635 milhões, o que significa, se Deus quiser, que estamos nos tornando aptos a investir na cidade, até o final de 2020, mais de R$ 1 bilhão’, afirma o prefeito Iris Rezende.

Complexo viário

O complexo viário inclui três elementos diferentes de engenharia, nos mesmos moldes do que ocorreu no cruzamento da Avenida 85 com a Avenida T-63: o elevado, o viaduto em nível e a trincheira, e cada um deles atenderá a uma das vias atingidas. A Avenida Jamel Cecílio vai passar pelo elevado sobre toda a obra; no nível da Alameda Leopoldo de Bulhões será construída a rotatória, na rua já existente; e a Marginal Botafogo passará em trincheira por baixo de tudo. Sobre o viaduto será erguido um monumento, representando simbolicamente o traçado da obra, sendo o elevado o braço e a rotatória, a boca de um violão.

Com essa intervenção, a Prefeitura de Goiânia busca dar maior fluidez ao tráfego de veículos para a Jamel Cecílio e para a Marginal Botafogo e maior acesso a essas duas vias a quem está na Leopoldo de Bulhões, eliminando o semáforo de três tempos no cruzamento e destravando o trânsito. “O elevado na Jamel Cecílio dará fluxo direto para as pessoas que querem atingir a GO ou os bairros e condomínios da região, a Marginal Botafogo vai realmente funcionar como uma via expressa, sem nenhuma interferência semafórica, já quem desce a Alameda Leopoldo de Bulhões terá acesso à direita, na Jamel Cecílio, ou à esquerda, para o Setor Sul, basta fazer o contorno da rotatória e seguir ou retornar à própria Alameda. O trânsito vai fluir para todos os lados, sem interferência de sinaleiro”, explica o Diretor de Políticas e Programação de Obras Públicas da Seinfra, Carlo Henrique de Oliveira.

Impacto no comércio

Durante a execução das obras, o cruzamento no local será fechado e o tráfego de veículos, desviado para a ponte da Rua 1018. Os consumidores poderão acessar as lojas instaladas na Jamel Cecílio, que continuará aberta, pela Marginal Botafogo, através da Rua PI3, e pela Avenida Botafogo, no Setor Pedro Ludovico. O comércio, portanto, não será interrompido.

Também preocupação comum aos lojistas, principalmente àqueles que estão situados entre a Rua 115 e a Alameda Leopoldo de Bulhões, é com a retirada da faixa de estacionamento na Jamel Cecílio. Para essa preocupação, o diretor Carlo Henrique assegura que “somente um trecho de 50 metros da Avenida será atingido para a projeção do elevado, porque as pessoas precisam sair na lateral para a Leopoldo de Bulhões”, ele explica que a proibição do estacionamento somente se daria para a criação de um corredor exclusivo para ônibus na Jamel Cecílio, o que não vai acontecer, segundo ele, “não haverá corredor exclusivo para ônibus, na Jamel Cecílio, a faixa de estacionamento continuará normal como é”.

Para minimizar os transtornos que a construção de uma obra de grande porte como a do complexo viário causa, o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Dolzonan da Cunha Matos, informa que todas as secretarias afins foram envolvidas no projeto e será feito um trabalho prévio junto à população diretamente atingida (lojistas, moradores e motoristas) sobre os serviços a serem realizados, como forma de prevenir desconfortos e até mesmo de preparação para os 15 meses de duração dos serviços. “Sempre estaremos em contato com a população em geral, lojistas e moradores daquela região, a fim de minimizar desconfortos, mas o complexo é uma obra extremamente necessária, inclusive, adiantamos a construção da trincheira da Rua 90 com a Avenida 136 para melhorar a trafegabilidade da região, senão, iríamos apenas transferir o problema de lugar, e o objetivo é justamente o contrário, dar fluidez ao trânsito”, ressalta.

Prolongamento da Marginal Botafogo

Menos sofisticado do que o complexo viário, o prolongamento da Marginal Botafogo deve começar no próximo mês. Com o processo licitatório já em fase adiantada, aguarda-se a definição da empresa vencedora para a emissão da ordem de serviço e início dos trabalhos.

Segundo Flávio Máximo de Oliveira, coordenador executivo da Unidade Executora de Projetos do Programa Urbano Ambiental Macambira-Anicuns (UEP/PUAMA), responsável pela obra, a Marginal será prolongada em cerca de 1,5km, da Jamel Cecílio até a Segunda Radial, no Setor Pedro Ludovico.

No projeto de prolongamento está prevista a construção de uma ponte na Rua 1018 e outras duas na Segunda Radial, além de todo o trabalho de micro e macro drenagem, sinalização semafórica e obras de canalização ao longo desse trecho do Córrego Botafogo.

A obra será executada com recursos do tesouro municipal, no valor de R$ 14 milhões, e tem prazo de sete meses para ser concluída.

Monumento em homenagem à música

O monumento a ser erguido sobre o viaduto da Avenida Jamel Cecílio leva a assinatura do arquiteto Sandro Carvalho, que também assinou o do Viaduto Latif Sebba (Praça do Ratinho) e do elevado João Alves de Queiroz (Praça do Chafariz). Segundo o autor, o monumento foi pensado para valorizar a música goiana, lembrando que a Avenida dá acesso a dois importantes pontos culturais de Goiânia, o Oscar Niemeyer e a Casa de Vidro (em construção). Abaixo a entrevista com ele:

P. O que representa o monumento que será levantado na Avenida Jamel Cecílio, no cruzamento com a Marginal Botafogo e Alameda Leopoldo de Bulhões?

R. – O monumento dá a entender que o elevado é como se fosse o braço de um violão e lá tem a mão, dedilhando as cordas. A ideia central partiu da Casa de Vidro, porque a Avenida dá acesso a ela e também ao Oscar Niemeyer e é bem provável que a Casa de Vidro vai ter escola de música, várias atividades relacionadas, então, nós pensamos nessa situação de criar uma homenagem à música goiana, tanto a MPB, quanto o sertanejo, que é muito forte, tem grande raiz em Goiás.

P. Que material será utilizado na sua construção?

R. O projeto executivo é que vai definir, mas acredito que será uma estrutura metálica.

O que eu posso te dizer é que, diferente dos outros dois monumentos, o objetivo é revestir todas essas peças em painéis de led, como se fosse uma grande tela, os dedos e a mão estarão sempre projetando imagens.

P. Qual a altura do monumento?

R. Vai ser a mesma do monumento da Praça do Ratinho, aproximadamente 56m de altura.

Nara Serra

Imagem computadorizada da concepção do monumento

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