Prefeitura abre 1ª turma do curso de libras para agentes de trânsito

Iniciativa é realizada pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos (SMDHPA) em parceria com a Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT)

Promover a inclusão de surdos por meio da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Este é o objetivo do 1º curso destinado aos agentes da Secretaria Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT). Além de agentes, o corpo administrativo também será qualificado.

As aulas da primeira turma começaram nesta terça-feira, 22, na sede da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas (SMDHPA) e terão duração de um mês. Até novembro, serão ao todo cinco turmas e 100 agentes formados. A iniciativa é da SMDHPA em parceria com a SMT.

Segundo a coordenadora da Central de Libras de Goiânia, Elizabeth Ferreira de Freitas, a meta é qualificar os agentes a fim de levar inclusão ao trânsito da capital. “Como vai abordar uma pessoa no trânsito sem saber a língua? A Lei 10.143 é clara quando diz que toda pessoa tem o direito ao acesso à comunicação”, lembra.

Uma das palestrantes é a engenheira ambiental Gabriella Maria, 24, que é surda e compartilhou as dificuldades de se comunicar no dia a dia. “Quando a pessoa não sabe libras, há uma dificuldade de relacionando. Infelizmente, a maioria das pessoas não sabe pelo menos o básico de libras para comunicar com o surdo. Não só no trânsito, mas em outros lugares também”, definiu.

Exatamente por esse propósito que a agente administrativa do Departamento de Educação da SMT Talita Ariadilym se matriculou. “Além de uma nova possibilidade de se comunicar, é uma cultura, um conhecimento extra. Uma forma de ajudar o surdo, que é importante na sociedade”, destacou, ao acrescentar que já passou por constrangimento ao precisar de ajuda ao abordar um surdo.

O diretor do Departamento de Educação, Horácio Ferreira, comemora o início do curso. “Solicitamos há 3 anos e só agora conseguimos. Conversando com Antonio José, que por sua vez sensibilizou o secretário Filemon Pereira a realizar a ação. A necessidade surgiu pelas dificuldades vividas pelos agentes no cotidiano”, reconhece.

Horacio também contou que já deixou de fiscalizar um veículo em uma blitz por deficiência comunicacional. “Além da central aqui da SMDHPA, é importante que o agente tenha pelo menos o básico para desenvolver o seu trabalho”. Horário também lembra que a Libras é a segunda língua oficial do país.

O superintendente da Pessoa com Deficiência da Prefeitura de Goiânia, Antônio José, saudou aos que, em sua visão, entram para a história como sendo partícipes da primeira turma do curso de libras para o trânsito. José ressaltou que é o primeiro passo, mas significativo no atendimento às pessoas surdas com questões referentes ao trânsito. “Se faz necessário, porque as pessoas com deficiência foram tão invisíveis, separaras e marginalizadas que hoje a gente encontra um surdo na rua e não conseguimos falar com ele”, conceitua.

Ele esclarece que não se deve falar Portadores de Necessidades Especiais (PNE) ou pessoas especiais e sim pessoa com deficiência. ‘Esqueçam os adjetivos especial, excepcional, pois todos aqui são especiais para quem gosta de vocês”, descontraiu.

Antonio José acredita que a confusão se dá pelo distanciamento desse grupo. “Ficamos tão distantes, durante tanto tempo, que muitos se assustam. Mas ninguém é igual, cada um resolve as questões dentro de sua capacidade. Precisamos lutar pela igualdade e não desconhecer as diferenças – que produzem a intolerância”, raciocina.

Em sua fala de abertura, o superintende ainda explicou que tanto os cegos (seu caso) quanto os surdos fazem parte das pessoas com deficiência sensorial dos sentidos. “Além disso, temos a deficiência motora, caso do cadeirante; o intelectual, como o autista, por exemplo”, concluiu.

A coordenação revelou que o titular da SMDHPA, Filemon Pereira, já deu sinal verde para as tratativas com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para estender a formação aos agentes de Saúde. Servidores dos postos, que lidam fortemente com a comunidade surda, estão no horizonte próximo da gestão Iris Rezende.

Antônio Bento, da Diretoria de Jornalismo
Foto: Dias Neto

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *