Música e dança marcam Dia da Consciência Negra

Evento em frente ao Grande Hotel reuniu centenas de pessoas e contou com apresentações artísticas e culturais

A alegria tomou conta do Centro de Goiânia em noite de celebração ao Dia da Consciência Negra, nesta segunda-feira, 20. Foram várias atrações artísticas e culturais, como os grupos Muzenza Beat, Afoxé Omó Odé, Skina 21, Dvolt, Baiano MC, Sociedade Black, Angoleiros do Samba Chula e Vagalume Crew e o grupo de capoeira Mestre Passo Preto e Clécia Santana, que contagiaram o público que compareceu em frente o Grande Hotel, na Avenida Goiás com a Rua 3.

Apesar de ser instituída em 2003 em homenagem ao dia da morte do líder quilombola Zumbi dos Palmares, em 1695, o Dia da Consciência Negra foi construído mediante um processo de luta e transição, como explica o gerente de assistência às vítimas contra o preconceito, da Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Políticas Afirmativas (SMDHPA), Dilmo Luís Vieira. “A Constituição de 1988 transformou em crime o que era considerado apenas contravenção conforme a legislação de 1951. Foram 37 anos de vigência, sem que ninguém fosse preso no país com base nela”, lembra Dilmo.
Segundo o titular da SMDHPA, Filemon Pereira, o evento é um momento de descontração e também de reflexão quanto à importância do debate sobre a igualdade racial, com vistas a uma sociedade melhor. “A miscigenação é muito forte no Brasil e isso é nosso diferencial positivo, a pluralidade nos faz ricos culturalmente e isso que celebramos aqui hoje”, destacou Filemon.
A representante do Movimento Negro Unificado Julia Leal explica que o grupo existe desde a década de 80 articulando políticas afirmativas na periferia e combatendo o racismo. “Nossa filosofia é de que lugar de preto é todo lugar, por isso ocupamos escolas como forma de protesto, vamos às prisões. Se poder é bom, negro também quer”, explica a jovem que destaca, ainda, que o maior poder é a liberdade de estar em qualquer lugar.
Em meio a um público majoritariamente negro, Oscar Hilário destoava junto com sua namorada, também branca, na multidão que tomou conta do centro. Hilário reconhece o racismo existente. “Os traços da escravidão estão presentes, a consciência também é para emponderar os próprios negros, por isso eu defendo ações afirmativas como esta”, acredita.

Antônio Bento, da Diretoria de Jornalismo

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *