Ipês florescem e embelezam as ruas de Goiânia

Floração dura em média uma semana. Existem na cidade cerca de 80 mil exemplares da árvore. Cores variam de rosa, roxo, amarelo e branco

Apesar do clima seco e quente que dão tom cinza à cidade, Goiânia recebe um novo colorido nesta época do ano. Trata-se da floração dos ipês, que exibe cores exuberantes e vivas, proporcionando um espetáculo de beleza incomum em vários locais da capital goiana, como vias públicas, praças, parques e bosques. As flores dos exemplares típicos do Cerrado aparecem uma única vez ao ano, entre os meses de agosto e setembro, e servem para que haja a perpetuação da espécie, por meio da reprodução.

Na Capital existem, em média, segundo levantamento realizado pela Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), 80 mil exemplares de ipês. E o número dessas árvores não para de crescer. Atualmente, a Prefeitura de Goiânia conta com um projeto de plantio voluntário de árvores na cidade. Durante os mutirões realizados pela gestão municipal, por exemplo, a Amma distribui mais de 70 espécies diferentes de árvores nativas do Cerrado, entre elas os ipês. Com relação ao plantio, a recomendação dos técnicos de arborização do órgão ambiental deve ser seguida, respeitando, inclusive, a fiação de rede elétrica. “Espécies como, por exemplo, o ipê tabaco pode ser plantado onde existe fiação”, revela o biólogo da Gerência de Arborização da Amma, Leandro Georges. De acordo com ele, caso haja desconhecimento específico que qual espécie está sendo plantada, o ideal é que não seja realizado em locais com fiação, levando em consideração que a árvore pode atingir uma altura de 4 a 30 metros.

Além do embelezamento, a planta não prejudica as calçadas porque a raiz tem crescimento para baixo (sistema radicular pivotante), mas para isso, segundo o biólogo da Gerência de Arborização, precisa ser plantada em covas com 60 centímetros de largura e de profundidade. De acordo com ele, cada espécie de ipê possui uma característica específica. “O amarelo, por exemplo, pode ter folhas lisas, felpudas ou serrilhadas, com formação de folhas por ramo e o porte da árvore pode variar de pequeno a grande, dependendo da espécie”, diz. Ele explica ainda que os ipês roxos têm folhas lisas, às vezes serrilhadas nas pontas, e os exemplares brancos têm folhas arredondadas. Já os ipês cor de rosa possuem folhas grandes e a árvore é de médio porte.

“Quanto às flores, em todas as espécies, têm formas lanceoladas e dispostas em cachos. Esse é um dos períodos em que o Cerrado fica ainda mais bonito pela exuberância do bioma e pelo desenvolvimento das plantas como forma de sobrevivência”, enfatiza o biólogo da Amma. De acordo com ele, o clima é favorável para certas árvores. O tempo seco reflete o auge da floração dos ipês. “Isso por conta do estresse hídrico, baixa umidade do solo e um período entre o inicio da floração de baixa temperatura, que resultam na queda das folhas para dar lugar às flores”, esclarece Georges.

Segundo Leandro Georges, o embelezamento das árvores se dá pelo ciclo biológico do exemplar arbóreo, sendo que no período da seca as folhas caem para evitar que a árvore perca água e no período chuvoso as folhas rebrotem. “Esse armazenamento permite o surgimento das folhas de cor verde vibrante. Com o fim das chuvas, a árvore entra em processo de caducifólia, que é quando as folhas secam e caem”, conclui o biólogo.

Floração

Durante o processo de caducifólia, as folhas caem para que os ipês diminuam a transpiração e, consequentemente, reduzam o consumo de água. “É aí o início da floração, processo que permite perpetuação da árvore, porque nas flores acontece a reprodução que dá origem às sementes que vão germinar e dar origem a novas árvores”, explica o biólogo Leandro George, que ressalta o fato da floração normalmente durar, em média, uma semana. Já com relação a germinação, ele explica que as flores servem como um atrativo para os animais polinizadores. “Depois de polinizados, os ipês dão origens às vagens contento as sementes, que abrirão coincidindo com o período chuvoso, o que aumenta as chances de germinação das sementes, pois esse período é de mais ou menos 30 dias”, explica.

Exuberância

De acordo com a secretária Moema Ribeiro, moradora do Setor Eldorado, os ipês que estão espalhados pela cidade causam muito exuberância, mas, segundo ela, nenhuma avenida fica tão bonita quanto a Avenida Pedro Ludovico Teixeira. “A floração daqui ainda não atingiu o nível máximo, mas sei que em poucos tinha ela inicia”, comentou. Ela ressaltou que durante a floração fica encantada e não deixa de passar pelo local para, inclusive, fotografar. “A via fica muito bonita e é uma pena o fato da floração ser muito rápida, mas compensa ficar admirando a exuberância das árvores, que na maioria é rosa”, revelou.

Plante a Vida

Para continuar incentivando o plantio voluntário de árvores em logradouros públicos, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende, fez questão de retomar o Programa Plante a Vida, que distribui à população mudas de árvores nativas do Cerrado, sobretudo, nos Mutirões da Prefeitura, que neste fim de semana, dia 26 e 27 de agosto, chega a sua sexta edição. As mudas são produzidas nos viveiros da Amma e somam mais de 70 espécies diferentes, entre elas os ipês. ‘Além dos eventos da prefeitura, as mudas são utilizadas também na recuperação de nascentes e ampliação de matas ciliares’, salienta Gilberto Marques Neto, presidente da Amma.

Mauro Júnio, da Diretoria de Jornalismo

Foto: Jackson Rodrigues

 

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *