Orquestra Sinfônica apresenta concerto de premiação do Concurso Jovens Solistas

Pianista e fagotista são os primeiros a se apresentarem com o grupo no dia 28 de abril

Sob regência do maestro convidado Eliel Ferreira, o concerto terá a participação dos solistas Felipe Arruda, no fagote, e Estefan Iatcekiw, de apenas 13 anos, no piano. No programa, obras de Villa-Lobos, Shostakovich, Silvestre Revueltas, Alberto Ginastera e Camargo Guarnieri.

PROGRAMA

Villa-Lobos, H. (1887-1959) Ciranda das Sete Notas
(Duração: 12 min)

Solista: Felipe Arruda, fagote

Shostakovich, D. (1906-1975) Concerto para piano No. 2 em Fá Maior, op. 102
(Duração: 18 min) I – Allegro
II – Andante
III – Allegro

Solista: Estefan Iatcekiw, piano

INVERVALO

Revueltas, S. (1899-1940) Sensemayá
(Duração: 8 min)

Camargo Guarnieri, M. (1907-1993) Três danças para orquestra
(Duração: 10 min)
No. 1 – Dança Brasileira
No. 2 – Dança Selvagem
No. 3 – Dança Negra

Ginastera, A. (1916-1983) Danzas del ballet Estância, op. 8
(Duração: 13 min)
I – Los trabajadores agrícolas
II – Danza del trigo
III – Los peones de hacienda
IV – Danza final (Malambo)

NOTAS DE PROGRAMA

Ciranda das Sete Notas

Heitor Villa-Lobos atingiu um nível de reconhecimento internacional que nenhum outro compositor latino americano tenha atingido. O compositor brasileiro que desde a tenra idade mergulhou nas histórias e no folclore de nosso país, produziu uma obra que uniu a idéia de uma identidade nacional com a linguagem da vanguarda modernista. Sua obra Ciranda das Sete Notas foi composta em 1933 e dedicada à sua esposa, Mindinha. Escrita para fagote solo e orquestra de cordas, esse belíssimo trabalho do compositor explora de forma especial as sonoridades do instrumento e suas várias facetas. A instrumentação reduzida favorece de forma especial o solista, abrindo espaço para que o fagote possa se expressar em todas as suas nuances, sem correr o risco de ser encoberto pela orquestra.

Concerto para piano No. 2 em Fá Maior, op. 102

Dmitri Shostakovich compôs o Concerto para piano No. 2 em 1957. A obra foi composta como um presente do compositor para seu filho Maxim, que apresentou o concerto em sua graduação no Conservatório de Moscou. Dividido em três movimentos esse concerto traz a tradicional divisão em três movimentos rápido-lento-rápido, forma na qual o compositor imprime sua identidade de forma tão característica: sua energia frenética, seu senso de humor, seu lirismo. Por conta da leveza da orquestração o início do primeiro movimento compõe quase uma sonoridade camerística, com um ar despretensioso e jocoso. O piano assume papel central durante todo o concerto, contendo maior parte do material melódico. O segundo movimento traz em contraste um interlúdio lírico, com uma belíssima introdução das cordas. O último movimento surge de forma surpreendente, sem pausa, quando o piano introduz um caráter de dança e um ritmo frenético.

Sensemayá

Sensemayá foi a obra que atraiu atenção internacional ao trabalho do compositor mexicano Silvestre Revueltas, ainda que tardiamente – o compositor morreu relativamente cedo, antes de completar seus 41 anos. A obra se insere no contexto da música moderna, e foi baseada em um poema do escritor cubano Nicolás Guillén que descreve um ritual (“canto para matar na culebra”) – o enfrentamento entre vida e morte, entre sensemayá, a cobra, e o homem. Através de sua orquestração Reveultas compõe uma obra evocativa, quase pictórica de seu ritual primitivo. São a complexidade rítmica, as texturas e timbres ásperos, os contrastes dinâmicos que constroem essa história que nasce misteriosa e cresce, aos poucos, ameaçadora e obsessiva até atingir um clímax massivo.

Três danças para orquestra

O compositor brasileiro Mozart Camargo Guarnieri foi um dos compositores que abraçou o projeto de criação de uma cultura caracteristicamente brasileira, ligado ao ideário nacionalista de Mário de Andrade – escritor, musicólogo, folclorista e ensaísta, figura central no movimento modernista brasileiro. Suas Três danças para orquestra nasceram da inspiração nas raízes culturais da história brasileira: as origens negra, indígena e européia. Escritas originalmente para piano, as três danças ganharam em expressividade com o rico colorido dos timbres orquestrais. Os ares tropicais se fazem presentes no ritmo sincopado da Dança Brasileira, na sugestiva Dança selvagem, e na Dança Negra – esta última composta sob a influência dos batuques e cantos dos negros, experiência sonora vivenciada pelo compositor em uma viagem à Bahia.

Danças del Ballet Estância, op. 8

Compositor nascido em Buenos Aires, Alberto Ginastera combinava o interesse pela música popular argentina e por novas técnicas de expressão musical. As Danças del Ballet Estância, op. 8 compõem uma suíte de quatro danças extraídas do Ballet Estancia, obra originalmente composta para a companhia de dança American Ballet Caravan, dos Estados Unidos. A suíte foi estreada em 1943. A obra foi inspirada no épico El Gaucho Martín Fierro do escritor argentino José Hernández, publicado em 1872 e considerado um dos grandes ícones da literatura argentina e gaúcha. A obra descreve em termos heróicos a vida dos gaúchos nas estâncias – as fazendas de gado dos pampas. O esforço dos trabalhadores na colheita do trigo em Los trabajados agrícolas; uma evocação bucólica do amanhecer na estância no belíssimo interlúdio Danza del trigo; a descrição da figura do gaúcho em todo seu vigor e rudeza de Los peones de la hacienda; e a frenética dança final, uma competição da dança tradicional gaúcha, o Malambo. Com um ritmo frenético e vibrante, harmonias arrojadas, um rico colorido orquestral e uma bateria percussiva de peso, hoje, essa é uma de suas obras mais celebradas.

O REGENTE:

Eliel Ferreira, natural de Anápolis, iniciou seus estudos musicais aos oito anos de idade na Escola de Música de Anápolis, onde concluiu o curso técnico de violino na classe da professora Claudia Schneider em 2001. No ano seguinte deu continuidade aos estudos em Goiânia com o professor Salmo Lopes. Em 2011 recebeu o diploma de Licenciatura em Violino pela Universidade Federal de Goiás na classe do professor Alessandro Borgomanero. Desde 2013 passou a dedicar-se à regência orquestral, recebendo orientações do Maestro Eliseu Ferreira. No ano seguinte, começou a ter aulas com o professor Neil Thomson. Procurando aperfeiçoar-se, participou de master-classes com renomados maestros como Claus Efland, Gottfried Engles, Claudio Cruz, Gian Luigi Zampiere e John Farrer. Em março de 2015 participou do Festival Lucerna com o renomado maestro Bernard Haitink. Participou também do 7º Laboratório de Regência da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais sob a orientação do Maestro Fábio Mechetti e também do II e III Workshop de regência da Orquestra Filarmônica de Goiás. Em 2016 participou do London Conducting Workshop em Londres na Westminster School. Atualmente é violinista da Orquestra Filarmônica de Goiás, maestro titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás e estuda regência com o Maestro Neil Thomson.

OS SOLISTAS:

Felipe Arruda é Mestre em Música pela Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás – EMAC/UFG (2016). Atualmente, integra a Orquestra Filarmônica de Goiás como fagote solista e a Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás como monitor. Destacam-se, como monitor da Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás, os trabalhos relacionados à preparação dos sopros, aulas individuais de fagote e ainda a turnê realizada na China em dezembro de 2016 e janeiro 2017. Em julho de 2014, foi bolsista selecionado pelo Mozarteum Brasileiro para SOMMER-AKADEMIE SCHLOSS WEISSENSTEIN, em Pommersfelden – Alemanha. Estudou durante este mês com a Profa. KrisztinaFaludy e fez parte do Coro Acadêmico e Música de Câmara do festival.Foi professor assistente da classe de fagote do Prof. Ronaldo Pacheco no Instituto Baccarelli (2012), com quem manteve aulas no mesmo Instituto e também foi fagote solista da Sinfônica Heliópolis (2009-2012), com a qual participou da 1º turnê Internacional da Orquestra – Alemanha, Holanda e Inglaterra. Ainda nesta Instituição, desenvolveu atividade camerística com o Quinteto de Sopros Silvio Baccarelli. Com este grupo, participou de master classes com importantes personalidades da música de câmara, bem como Giuliano Rosas (Grupo Sonâncias), Ingrid Nissen e Arco Von Zon, ambos da Sinfonia Rotterdam, CleliaIruzun (CoulQuartet – Londres) e esteve na final do II Concurso de música de câmara do 50° Festival Villa Lobos (Rio de Janeiro).Como solista, esteve à frente da Sinfônica Heliópolis com a Sinfonia Concertante de W. A. Mozart para Oboé, trompa, flauta e fagote, com a regência de Isaac Karabtchevisky e da Orquestra de Câmara da USP, com o Concerto para flauta, oboé e fagote de A. Vivaldi “La tempestadi Mare”. Participou ativamente de Masterclasses com Alexandre Silvério, Fábio Cury, Ole Dahl (Alemanha), Afonso Venturieri (Suíça), AndresRieras (Venezuela), ZeevDorman (Israel), Annet Karsten (Netherlands Radio ChamberPhilarmonic) e Gareth Newman (London PhilarmonicOrchestra). Além de ter participado de festivais como FEMUSC, Música nas Montanhas e Prados, onde teve aulas de fagote com Isabel Jeremias (Costa Rica), Gustavo Nunez (Royal ConcertgebouwOrchestra), Milan Turkovic (Áustria), Ronaldo Pacheco e aulas de contrafagote com Andrea Merenzon (Argentina).

O jovem pianista paranaense Estefan Iatcekiw – 13 anos – começou a estudar piano aos 5 anos de idade, na cidade de Curitiba. Aos 9 anos realizou seu primeiro recital solo, na capital paranaense. Nesse mesmo ano iniciou seus estudos com a professora Olga Kiun e teve aulas de teoria e harmonia musical com o Maestro Osvaldo Colarusso. Participou da 32ª, 33ª e 34ª Oficina de Música de Curitiba onde teve a orientação de professores de renome internacional, como Olga Kiun, Robert Markham, Magdalena Lisak, Claudio Soares e Michal Karol Szymanowski. Em 2014 ganhou o 1º lugar no X concurso de piano ‘profª Edna Bassetti Habith’. Neste mesmo ano participou do festival Olga Kiun na Capela Santa Maria em Curitiba. Foi apontado como uma das grandes revelações do cenário musical do Brasil. O pianista atuou como solista da orquestra de cordas da XXXIII Oficina de Música de Curitiba em 2015, apresentando Concerto em Ré maior de J. Haydn sob a regência do maestro Reginaldo Nascimento. Recentemente ganhou o 1º lugar no concurso nacional de piano Souza Lima e foi classificado como grande revelação musical do ano e obteve o prêmio de Hours Concours de 2015, também foi premiado com o 1º lugar no concurso nacional Mackenzie e no concurso internacional Rachmaninov (Alemanha) e prêmio como melhor interpretação de peças do compositor russo Rachmaninov. Em 2016 apresentou-se como solista da Orquestra da Camerata Antiqua de Curitiba, sob a regência do maestro Osvaldo Colarusso.

Serviço
Concerto Orquestra Sinfônica de Goiânia
Data: 28 de abril de 2017
Horário: 20h
Local: Teatro Goiânia (Avenida Tocantins, esquina com Avenida Anhanguera, Centro)
Entrada Franca

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